segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

waiting room - porque médicos sempre atrasam

E aí o tempo não passa. o que é cruel por motivos muito além da minha impaciência. É impossível aproveitar o tempo parado. ninguém se diverte numa sala de espera. E é nela mesma que eu estou. Na sala de espera. Esperando pra ver o médico. O médico vai me dar remédios e aí eu vou piorar um pouco, e depois melhorar.
eu tenho esse hábito de insistir em todas as coisas erradas, por isso mesmo vou insistir nessa analogia (ela, pelo menos, não vai destruir meu fígado, cérebro, pulmão ou coração). estou esperando, inconformada, e puta da vida porque minha hora não chega nunca. Quando ela finalmente chegar, eu já vou estar pronta pra ela há muito tempo. Quem está mal e não quer melhorar não vai no médico. Eu fui, quero melhorar. Quero que essa angústia toda vá embora e me deixe em paz. Só por estar doente consigo apreciar tudo que eu tinha antes de ficar mal. É tão bom não ter dores de cabeça. Eu lembro.Tem uma emergência na minha frente, eu deixo de lado todos meus problemas e deixo quem está muito mal passar na minha frente, apesar de saber que estou tão mal quanto, só não estou fazendo alardes e soltando fogos de artifício. Tudo bem. E não é o tempo na sala de espera nem o tempo passado depois da morte que vai me fazer melhorar. Isso é uma mentira que contam pros desesperados, e que eu acreditei por muito tempo. Eu preciso saber o que há de errado comigo, exatamente. Geralmente é uma virose, dessas que todo mundo pega quando tá todo mundo doente, e ninguém sabe o que é, mas dessa vez não é. É meu coração que quebrou. Mil pedacinhos. Que eu joguei no ventilador e se espalharam por aí. E quando eu souber exatamente isso, vai haver uma cura.Tratar do mal com o mesmo mal, sabe? Mas eu não estou pronta pra vacina. Eu preciso melhorar antes. Destilar esse veneno e guardar os anti-corpos. A prevenção não adianta quando você já está doente. Eu vou esperar passar. Pelo menos a dor física. E aí vou estar mais forte, mas sempre vou ter essas marcas. Igual catapora. Tão igual, que eu nunca mais vou pegar. E vou para sempre poder lembrar disso com meus amigos que também já tiveram catapora, e ficaram do meu lado quando os outros não podiam. Mas se esperar bastasse, ninguém morreria. Tem é que ter a vontade de levantar quando estou jogada. E eu nunca faço nada quando estou com febre e isso ainda vai me matar.E a maldita hora não chega nunca. E eu só consigo gritar por dentro, e o exisetencialismo e toda sua dor estão tão evidentes que eu me sinto extremamente pueril. Tão cheia de negação que não consigo admitir publicamente que tenho mais urgência do que os casos de aparente emergência. Até porque eles pensam exatamenteamesmacoisa.Tem esse menino, que me liga todos os dias. Ele me leva pra passear. Ele quer tardes agradáveis de domingo, com café, conversa jogada fora e um sorriso de último dia de férias maravilhosas que só tinhamos quando eramos crianças. E eu não atendo o telefone. Ele liga 7, 8 vezes e eu fico paralisada, olhando o telefone. E o telefone continua tocando. E logo, ele vai desistir de mim. E eu queria conseguir pedir desculpas pra ele… mas acho que nunca vou ter coragem. Porque eu não sei o que está acontecendo. Eu não consigo ignorar a dor e ser feliz. É só um caso de domingos. Eu sei que só se propõe a ser isso. E há um ano e meio, isso teria feito de mim uma garota extremamente feliz. Mas esse ano veio, ficou e passou.Ontem já acabou e hoje está cada vez pior, mas tomorrow, como já diria a minha xarazinha, is only a day away.E quando eu acordar e perceber que estou sendo hoje, vou saber que tudo está bem e que se eu me proponho a curar uma dor que pensei ser para sempre, não vai haver nada que seja para sempre, nem as coisas boas. E é exatamente por isso que não vou deixar de aproveitá-las. Porque o menino que me liga não vai estar aí amanhã, e isso não é algo que eu esteja pronta para admitir até que ele não esteja mais, mas isso vai mudar. Esse meu lado acha que coisas duram para sempre. Ele precisava não de uma, mas várias provas do contrário. e bem… os votos foram contados: estou pronta para admitir que nada dura para sempre. Agora é só continuar repetindo isso até acreditar. Igual religião.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Eu odeio o meu aniversário, mas hoje é o do Gabriel.


Nunca gostei de festas de aniversário. Principalmente das minhas. Desde criança tenho este pequeno hábito de odiar festas de aniversário. Quando surgiam pequenos convites em casa, com desenhos bestas com pessoas ou bichinhos com seus respectivos chapéus cônicos, eu já resmungava: “Vou ter que ir? Mas que saco!” Meu problema não é nem o fato de ter que dar o presente, mas em ter que estar presente no tal evento que, para mim, não tem nenhum significado. Eu prefiro dar presentes fora de época, naquela situação típica: “Vi na loja e achei a sua cara”, do que perder horas e horas pensando no que comprar às pressas para pessoa tal.
Seria hipocrisia dizer que eu não gosto de ganhar presentes. E quem não gosta? Sou ranzinza e chata, mas não insensível. Mas é bem mais fácil me agradar dando um presente espontaneamente do que comprados às pressas num lugar qualquer.
Quer matar-me de raiva? Faça uma festa surpresa no meu aniversário! Certamente você vai perder minha amizade. Se você tem consideração por mim, não gaste seu tempo e dinheiro tentahndo preparar uma festa para mim. Passe a mão no telefone e me ligue dizendo: “Ow, lembrei de você...” É melhor isso do que um bando de gente desafinada cantando “Parabéns à você, eu só vim pra comer. O presente, que é bom, esqueci de trazer!” Patético.
Digamos que a parte boa das festinhas de aniversário, principalmente os infantis é a comida. Aniversário alheio, é claro, pois você come o que gosta e não tem que ficar fritando os neurônios pensando em como agradar gregos, troianos e o resto da humanidade. Mas, convenhamos, não é necessário ir em uma festa de aniversário para comer brigadeiro. Faça numa panela e coma sozinho e, se quiser, comemore o dia da gula.
Atualmente estou numa idade que, festinha infantil é dos filhos das amigas e não mais dos meus amiguinhos. Festa de aniversário de um ano do bebê acaba sendo festa de adulto, principalmente porque criancinhas deste tamanho não aproveitam nada na festa e para elas um lugar cheio de gente é bem estressante.
Mas hoje, não estou aqui para reclamar das minhas festas ou de festas furadas alheias, mas sim para escrever sobre o aniversário do Gabriel. Em seus dezenove anos de vida, esta pessoa se tornou uns dos seres mais importantes da minha vida.
Que continuemos assim. Não é?Espero.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

nº1

Ela coloca salto com meia colorida do South Park. Ela quer ir pra Londres e morar em um daquelas casinhas vitorianas de tijolos e portas estreitas e paredes grudadas, fingindo que na Inglaterra não tem vizinho chato e deve ser um porre morar parede-com-parede com um estranho. Ela fica com dor de cabeça de tanto brincar de banger com músicas nada parecidas com metal. Ela faz coleção de casacos mas tem um monte de calcinhas fio-dental na gaveta (lá atrás). Ela está com dores de ouvido frequentes por aumentar o volume demais. Ela está enjoada. Ela quase não come. Ela deu um tempo na vodca. Ela vê Fox News pra entender o que falam sobre os psicopatas americanos e sobre a guerra do Iraque. Não que ela realmente se interesse por isso. Ela ama sotaque irlandês e quer ir pra Dublin. É, seis meses em Londres, seis meses em Dublin. Trabalhando de garçonete ou de andadora de cachorros, ela não se importa. O american dream não nasceu pra ser dela. Ou ela não nasceu pro american dream. É preguiçosa demais pra perseguir casa #1, casa de praia, carro do ano, vida social super agitada com pessoas falsas todo o tempo e roupas horrososas. Ela gosta de ser fora de moda. É tudo tão falso que andar com cachorros parece uma idéia agradável.
E ela gosta de bichos.
Os casacos over-size escondendo calças baixíssimas. Os CD’s antigos e cafonas desenterrados de vez em quando, pra lembrar de como ela já foi menos complicada e mais chorona. E quando só tinha um casaco e nem era uma coleção. Só queria receber um email de alguém bem famoso dizendo que ela é legal mesmo sem ser famosa. Detesta quando pessoas tentam roubar seu cérebro, mesmo não o achando lá grandes preciosidades. Falta disciplina e sobra garganta. Como sabe gritar, essa menina.
Para extravasar, uma coisa bem medieval, como ser puxar o cabelo e usar xixi pra marcar território. Ela é medieval mas ninguém pode falar nada, pois todos são. Todos são, mas isso não faz dela igual. Ela pode ser tudo, menos igual. Se olhando no espelho e achando tudo ruim e quatorze minutos depois achando tudo bom. Sabe economizar dinheiros e gosta de esmalte vermelho. Já se candidatou como doadora de órgãos. Não vai precisar deles mesmo. E podem vir buscálos a qualquer momento. Tem sangue verdeágua. Porque azul tá muito na moda.

ps1: é sobre mim
ps2: não me interessa mais se você gosta

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sutil

Em nenhum momento foi minha intenção que essas coisas acontecessem, eu não premeditei, eu não esperei, eu quis. Simplesmente aconteceu. E aqui estou eu, me perguntando. "Porque não foi pra sempre?" A única certeza que tenho,nesse caminho torto que chamamos de vida é que eu sempre vou te amar. Meu Pequeno.

domingo, 13 de setembro de 2009

Nada civilizado.

Pensou que poderia acabar com aquela sensação de dor com alguns goles. Bebeu, bebeu e continuou assim ao longo da noite. Percebeu seu corpo jogado de lado, nu, em uma cama desconhecida. Levantou e um pensamento turvo lhe veio a mente: - Isso não foi nada civilizado.